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Igreja Presbiteriana do Jardim da Glória

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Publicado em 2 de março de 2021 às 23:27

Do outro lado da porta | Gn 4.7

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Do outro lado da porta. "Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo" (Gn 4.7). O primeiro homem que nasceu nesta terra foi um homicida, um fratricida. Isso se deu, pois não dominou sua própria vontade, seus sentimentos, permitindo a concretização de um desejo maligno: matar, por inveja, seu irmão, que nada havia feito contra ele. Isso se deu porque, a partir da queda, foi introduzida na experiência do homem uma vontade alternativa àquela santa que procede unicamente de Deus. Essa é a gênese da busca pela autonomia humana. Como seu próprio deus, o homem passou a ser fonte e origem de desejos legitimados por seu próprio ser. Age sempre em conformidade com essas inclinações, que passaram a ser para ele naturais. Tal é o procedimento humano. Daí a necessidade vital de não apenas aprender a controlá-las, mas tornar-se fonte de vontades que reflitam o querer do único Deus verdadeiro. Antes da queda, o primeiro casal não tinha qualquer experiência de prazer ou satisfação fora da vontade de Deus, ou seja, que não estivesse estritamente dentro das fronteiras do bem e do santo. Ao cair, os desejos do coração humano resolveram cruzar os limites originais de sua criação. Tornaram-se "estrangeiros", vagando por terreno sórdido e ganancioso, gerando e concretizando as cobiças que passaram a determinar a atitude humana. Colocando isso de outra forma, antes da queda o "bom", isto é, o que era prazeroso e agradável ao homem, era sempre o "bem", ou seja, o santo e justo. Porém, a partir da desobediência edênica, todo ser humano passou a ter prazeres e satisfações em coisas que não são aprovadas. Seu coração é atraído por tudo o que é diferente da vontade de Deus, que, por sua vez, exalta a autonomia humana. Podemos entender, a partir disso, que há em todo homem uma vontade natural e uma vontade moral. A primeira, reflete exatamente as inclinações do coração caído, a forma de vida do velho homem; já a segunda, é um impulso moral, o conhecimento do bem que tenta domar a vontade natural. Por isso, todo pecador vive sempre uma dualidade. Há duas vontades distintas que se digladiam, tentando assumir a primazia no domínio de suas ações. Na experiência do ímpio, como Paulo descreve em Romanos 7.7-25, tudo o que tenta fazer é desastre. Embora conheça o padrão daquilo que é correto, pois tem a norma da Lei gravada em seu coração (Rm 2.14), isso não é suficiente para o frear diante do mal. Acercado do pecado, só lhe resta derrota e desespero: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7.24). Sua vontade de ir é suficiente para vencer seu cansaço. Percebemos, assim, que o cansaço é relativo, sujeito à intensidade do desejo que se tem. Todos os impulsos físicos ou orgânicos não podem superar a nossa vontade de fazer o que é correto. Apenas o crente tem, de fato, o poder para vencer o mal, capacidade dada pelo Espírito Santo que habita nele. É uma força sobrenatural, a mortificação do velho homem demoníaco, devido ao poder da ressurreição de Jesus que já está nele. Quanto mais nos dedicarmos à busca diária, com tempo de qualidade na comunhão com Deus, na mesma medida nossos desejos tenderão a ser santos. Sem dúvida alguma, o mais difícil mandamento do Decálogo é o décimo: "não cobiçarás". Entendamos que a ordem não é para resistirmos à cobiça, embora seja evidente que, se ela chegar, deva fazer isso. Mas o que o mandamento estatui é que não devemos ter a cobiça. Como fazer para não ter o desejo maligno? Mergulhando fundo no relacionamento com Deus, para que todos os meus desejos, vontades, propósitos, reflitam a santidade do Senhor, conhecida em sua Palavra. O crente é o único que tem a sua vontade moral centrada em Deus e nas Escrituras. No entanto, é necessário fortalecê-la constantemente, alimentá-la diariamente, em longos períodos de leitura das Escrituras, de bons livros, de oração, para que ela seja sempre soberana sobre a vontade natural. Jamais alguém conseguirá vencer pecados pela mera força de vontade, apenas o simples saber daquilo que precisa conhecer sobre o bem moral. Isso até o ímpio sabe. O velho homem, com suas cobiças e pecados, está sempre do outro lado da porta. Não se engane! Para que ela permaneça sempre fechada é necessário dedicação, contato demorado com a Escritura, tempo de oração, jejum. Uma vida sólida de comunhão com o Senhor. Que maravilhoso é andar por caminho seguro todos os dias! É a solidez e a paz que estão à disposição de todo nascido de novo. Tenha um excelente dia na presença de Deus (Rev. Jair de Almeida Junior).

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