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Igreja Presbiteriana do Jardim da Glória

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Publicado em 29 de setembro de 2020 às 17:33

Criptocrentes | Mt 7.22

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“Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor! Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?” (Mt 7.22). Mesmo a sabedoria popular compreendeu que “as aparências enganam”. No entanto, modernamente começou-se a entender o ditado como “as aparências sempre enganam”. Com isso, começou-se a desprezar completamente a necessidade das aparências, que elas são importantes. Colocando isso de outra forma, as coisas não apenas devem ser o que são, mas aparentar ser o que são. A corrupção da ideia que afirma o ditado tem como causa a introdução de novas ideologias que relativizam todas as coisas. Dessa forma, as coisas santas perderam sua aparência, bem como, as coisas malignas. Perdeu-se o referencial. Posso estar dirigindo o louvor da igreja com o cabelo totalmente desfigurado, tingido de múltiplas cores, cheio de tatuagens e piercings, porque a aparência já não vale nada. Esquecemos do fato que uma maçã parece maçã, e uma pera parece pera. Um homem tem aparência de homem, e uma mulher, aparência de mulher, ainda que hoje queira artificial e impiamente fazer o contrário. Aplicando-se o princípio à vida cristã, o próprio Cristo afirmou que conheceríamos os falsos profetas pelos seus frutos, por aquilo que está presente em sua vida, o que envolve diretamente aquilo que ele parece ser. Por isso é que eles se disfarçam em pele de cordeiro. O que precisamos entender é que a aparência não é tudo, mas ela é importante. Eu tenho que parecer crente, não apenas ser. A modalidade de “criptocrente” ainda não foi legitimada. Falta pouco. Alguém já se referiu à distinção entre fé e conhecimento humano como a opção entre Jerusalém ou Atenas, respectivamente. Nas Escrituras há uma afirmação análoga, mostrando que os judeus vivem em busca de sinais, e os gregos, de sabedoria. Estas duas coisas sempre atrairão a vontade e a curiosidade humanas. Falando-se do primeiro caso, o desejo pelo sobrenatural exerce grande fascínio entre os homens. Destarte, muitas confusões são vistas. Talvez a mais comum delas seja uma espécie de pragmatismo espiritual. Em outras palavras, implica dizer que “tudo o que me faz bem (entendendo-se como aquilo que opera o que quero ou o que me agrada) é de Deus”. Assim, na busca da satisfação das vontades humanas não apenas tudo é válido, mas tudo é reconhecido como “divino”. Significa dizer que se vê Deus em tudo o que é sobrenatural, se aquilo resultar na concretização do meu interesse, não importando o que seja. Por causa dessa “abertura ao sobrenatural” é que Cristo exorta contra os falsos profetas. O texto que tomamos como base de nossa meditação é a resposta dos que se desviam, consciente ou inconscientemente, assumindo o rumo da condenação. Note que a justificativa que buscam para serem incluídos no favor eterno de Deus é exatamente o exercício do sobrenatural: profetizavam, expeliam demônios e realizavam muitos milagres. Eles pareciam crentes por causa do sobrenatural. Perceba, também, que não há nenhuma indicação na passagem que nos sugira que Jesus estava falando ironicamente, ou seja, que eles eram enganadores, líderes religiosos que, como charlatães, fraudulosamente praticavam tais coisas. Quanto à profecia, é provável que se refira apenas ao ato, isto é, ao anúncio de oráculos como vindos da parte de Deus e que resultava no reconhecimento, por parte do povo, de que eram profetas. Pode até ser que o Senhor tenha, de fato, falado através deles em alguma ocasião, como aconteceu com o profeta pagão Balaão. Quanto à expulsão de demônios e aos milagres são narrados em vários seguimentos religiosos. O próprio diabo também opera prodígios, como ocorreu no caso de Janes e Jambres, os mágicos do Egito que imitaram os primeiros sinais de Moisés. Todavia, o que nos cabe asseverar é que o exercício do sobrenatural não é evidência conclusiva de salvação, nem mesmo de fé verdadeira. Uma pessoa motivada por “sinais” pode alimentar uma fé temporária, não legítima, por toda a vida. A evidência da fé verdadeira sempre será a qualidade da vida espiritual, vista em um comportamento que mostre o compromisso firme e profundo com Deus. É o que é crente e parece crente. É isso que devemos buscar. Jamais irradiaremos a luz de Cristo se não ficarem percebidas a essência e a enorme diferença que há entre o crente e o ímpio. Ao invés de nos omitirmos, mostraremos claramente a profunda transformação que o Espírito realiza na vida do eleito. Tenha um excelente dia na presença de Deus (Rev. Jair de Almeida Junior).

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